24 April 2018

Anatomia cristã

(daqui - clicar na imagem para ampliar)
Goat Girl - "The Man"

... ou como um grupo de ex-"revolucionários", ilustríssimos desconhecidos, gente duvidosa e mamíferos vários se dedica ao tricot de lugares comuns e apresenta a candidatura (colectiva) a Miss Universo
NA ALTURA CERTA 



Há menos de um ano, nos ecrãs de televisão de todo o mundo, Chrysta Bell habitava as assombrações de David Lynch em Twin Peaks: The Return, enquanto, ao mesmo tempo, numa existência paralela (também catalisada por Lynch), publicava o precioso álbum We Dissolve, produzido por John Parish. Agora, em 4 das 20 datas da tournée europeia de 2018, pudemos vê-la e ouvi-la onde mais improvável seria: Coimbra, Arcos de Valdevez, Ovar e Torres Novas. No Outono passado, Relatives In Descent, dos Protomartyr, situava-os num patamar equiparável ao dos National segundos antes de Alligator e ainda recomendavelmente longe de Sleep Well Beast“uma música devastadora, estridentemente política, mas menos interessada em ditar problemas e soluções do que em cartografar a topografia emocional de estar vivo e aterrorizado em 2017”, como sobre ele escreveu “The A.V. Club”. Escassa meia dúzia de meses depois, a banda de Joe Casey e Greg Ahee, numa noite de aguaceiros, subia ao palco na pombalina e granítica Musicbox. 



No Teatro Gil Vicente, em Coimbra, Chrysta Bell foi a aparição de uma Rita Hayworth de alabastro, algo como a sobreposição dos perfis de Siouxsie, Cleópatra e Batwoman, numa coreografia entre "lap dance" e dança do ventre, e armada de uma voz capaz de ir do sussurro ao registo de diva operática. De This Train ao recente EP homónimo, contra um pano de fundo de labaredas, cortinas vermelho-bordel de Twin Peaks e excertos de clips de Lynch, escoaram-se dezassete luxuosas canções por vezes, mais próximas de uma (per)versão do "wild mercury sound" de Dylan do que da "torch song" – a novíssima "Blue Rose", contudo, é melodia orgástica impurissimamente "torch" –, coisa tão ardentemente física quanto a milagrosa cintura pélvica da "femme fatale" que as interpretava. Menos cantor do que "diseur"/exorcista de demónios erguido sobre as ruínas proletárias de Detroit, Joe Casey transformou a sala do Cais de Sodré num cenário onde um rock Neolítico – queimando algumas etapas – sonha com um futuro Românico. A acústica do lugar pode converter todos os textos em pura poesia fonética (mas, se quiséssemos ir por aí, nunca ninguém teria colocado um pé dentro do CBGB), porém, naquela densa construção sonora de uns Pixies com menor profundidade de campo, é impossível não declarar rendição perante o napalm da guitarra e a quadratura estalinista de baixo e bateria. Aqui e ali, fora dos hipermercados estivais de música, ainda é possível ir estando atento às coisas certas, na altura certa.

21 April 2018

Chrysta Bell - "Blue Rose"


 
"El actor y activista Willy Toledo no ha acudido este miércoles a declarar por insultar a Dios y a la Virgen María en unos comentarios que publicó en Facebook. Toledo ya anunció en la red social que no tenía ninguna intención de acudir a 'esta farsa' y que para verle, tendrán que detenerle. El actor ha sido citado por el Juzgado de Instrucción número 11 de Madrid como investigado por unos comentarios en los que criticaba la apertura de juicio oral contra tres mujeres por la procesión de una gran vagina en Sevilla"

20 April 2018

Chrysta Bell (XII)





VINTAGE (CDXX)



"Marx and Engels based their manifesto on a touchingly simple answer: authentic human happiness and the genuine freedom that must accompany it. For them, these are the only things that truly matter. Their manifesto does not rely on strict Germanic invocations of duty, or appeals to historic responsibilities to inspire us to act. It does not moralise, or point its finger. Marx and Engels attempted to overcome the fixations of German moral philosophy and capitalist profit motives, with a rational, yet rousing appeal to the very basics of our shared human nature"